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Ficas Com Migo?

Patudos Carentes
Então, foi aí que a minha esposa teve a brilhante ideia de criar um boneco em tamanho real, com as minhas roupas e que se tornasse mais um membro da família. E assim foi feito! Criamos um boneco do meu tamanho, com espumas, vestido com as minhas roupas, peruca e tudo mais. Depois disso, o passo seguinte era escolher um nome e fazer com que o Chico acreditasse que ali estava uma pessoal real. Então o tio Jô nasceu e para “enganarmos” o Chico, colocávamo-lo na sala no sofá, na casa de banho, etc. Para melhorar ligávamos o rádio, despedíamo-nos do tio Jô e saíamos para o trabalho. Depois disso, foi o fim da porta arranhada e principalmente o Chico ficava tranquilão o dia inteiro, inclusive algumas vezes fazia do tio Jô sua namorada, LOL. Hoje o Chico está com 15 anos e já estamos na terceira versão do Tio Jô.”
Pode não funcionar com todos, mas o tio Jô é uma alternativa que pode valer a pena tentar! Pelo menos três amigos do Rodrigo seguiram esta ideia e deu certo.


Tio Jô: uma alternativa diferente pra cães que não conseguem ficar sozinhos
A Síndrome de Ansiedade de Separação
A Depressão Canina
O que é e os seus sintomas: Cada vez mais o ser humano tem a necessidade de se sentir amado, útil, já que a sua existência está cada vez mais confinada a uma individualidade solitária, quer seja a nível profissional, quer a nível do seu rol de amizades. Aparece assim, a necessidade de arranjar uma "válvula de escape" para colmatar essa falha na sua vida e é no âmbito deste sentimento de solidão e carência que algumas pessoas decidem adquirir um animal de estimação, passando este a ser o centro de todas as atenções quando se encontram juntos. Desde o dormir juntos, comer, partilhar o sofá, a cama, sair no carro, passear na rua, proporcionando uma relação de dependência mútua.
Na maioria das vezes, esse carinho que o dono tem com o seu cão é algo feito de forma inconsciente, talvez numa tentativa de preencher algo que lhe falta e em troca dar algo de bom ao animal. Não se faz aqui nenhum julgamento aos donos que têm este tipo de atitude, pois se o mesmo não possui consciência do que isso pode significar verdadeiramente para o cão, ele não é o culpado, apenas não o sabe e fá-lo na melhor das intenções. Porém, esta relação extremamente dependente resulta indubitavelmente numa dependência extrema. É algo que se sabe, mas não se entende.
Imaginemos os relacionamentos humanos como exemplo. Os pais podem criar uma criança de duas formas distintas: uma, incentivando-a a ser independente, mostrando-lhe os caminhos e as várias consequências advindas dessa escolha; outra, super é super protegê-la, o que a tornará numa criança insegura, medrosa por não ter oportunidade de conhecer o novo, de poder testar as várias possibilidades e saber até onde pode ir.
Por incrível que pareça, o mesmo se passa com o cão; ou damos as possibilidades para que possa demonstrar o seu potencial e fazer as suas descobertas, encarando as dificuldades e as consequências, ou protegendo-o em todas as manifestações de medo, ansiedade, não permitindo que o cão as possa vivenciar.
Propomos agora que entendamos melhor do que se trata a Síndrome de Ansiedade de Separação (SAS). Trata-se de uma série de comportamentos manifestados pelos cães quando deixados a sós. O pior é que quando o dono não percebe a causa do problema em si e ao chegar a casa se depara com um sofá totalmente destruído, pune o seu animal. Mas essa punição perante o caso, é inapropriada e pior, intensifica o problema aumentando a frequência deste tipo de comportamento.
Entendamos, que este comportamento do cão visto como inadequado pelo dono, é a sua resposta ao setressa que sentia aquando e diante da separação com o seu dono. Esse relacionamento do cão dá-se logo desde filhote; primeiramente com a mãe e irmãos de ninhada e posteriormente, no período de socialização, o filhote irá se ligar a outros animais da mesma ou/e de outras espécies. A socialização determinará o tipo de relação social que ele terá, assim como processos de comunicação, hierarquia, formas de resolver problemas e também e não menos importante, o tipo de relação que será estabelecida com o dono, sendo que esta é baseada em confiança. Porém quando o cão permanece dependente demais do dono, poderão ser desenvolvidas questões comportamentais denotando a ansiedade de separação. De entre os comportamentos, poderão ser observados micção e defecação em locais inapropriados como na porta ou cama do dono, vocalizações em excesso (uivos, latidos, choros), comportamento destrutivo (arranhar sofás, morder objetos pessoais do dono, janelas, pé de mesa, pé de cadeira, portas), depressão, anorexia, hiperatividade, podem mastigar portas e janelas quando o dono não está na tentativa de segui-lo, mastigam móveis, fios, paredes, roupas, não comem ou bebem enquanto o dono não retornar, podendo apresentar também automutilação em casos extremos.
Importa ressaltar ainda que cada caso é um caso o qual deve ser rigorosamente analisado por um profissional, levantando todo um histórico comportamental do animal para que se possa chegar à hipótese de ansiedade de separação. Para entendermos melhor, precisamos saber uma diferença entre o medo e a fobia. O medo é o sentimento de apreensão associado à presença ou proximidade de um objeto, pessoa, ou situação específica. O medo é algo normal, que faz parte do desenvolvimento e que é superado diante das situações que são apresentadas ao cão, no decorrer da vivência.A fobia é uma resposta que o animal demonstra sendo esta imediata, aguda, profunda, anormal, traduzida como um comportamento de medo extremo, comparada ao pânico. Fobia é diferente do medo - esta não desaparece com a gradual exposição do cão ao que gera o seu desespero.
Diagnóstico: É dado quando o animal manifesta comportamentos ansiosos na ausência do dono com o qual mantém uma relação muito forte, mesmo estando na presença de outras pessoas. Quando ainda é filhote, existem várias situações que podem levar ao desenvolvimento da ansiedade de separação, por exemplo: ter sido tirado da mãe muito jovem, não tendo contato suficiente com irmãos de ninhada; mudança súbita de ambiente no qual estava acostumado; mudança do estilo de vida do dono, passando a existir menos tempo juntos; divórcio, crianças que crescem e deixam a casa, um recém-nascido na família, um novo animal de estimação. etc. Pode ocorrer também por alguma situação traumática que tenha acontecido na ausência do dono, como por exemplo, tempestades, terremotos, explosões, assaltos, invasões na residência, etc. Não existe nenhuma raça específica para o desenvolvimento da síndrome, mas os cães que a desenvolvem são quase sempre muito agitados, que seguem o dono para todos os lugares, pulam em cima do mesmo o tempo todo. Os cães com SAS, sentem e sabem quando o seu dono está para sair e nesse momento choramingam, chamam atenção, pulam, tremem, seguem insistentemente o dono.
Tratamento: O primeiro passo para o tratamento do animal é compreender qual o real motivo que o levou até este ponto e dar todo o apoio e explicação ao dono do cão a respeito de como é o funcionamento do raciocínio, da cognição do cão, fazendo-o entender que só se o dono mudar alguns aspectos no seu próprio comportamento em conjunto com uma especificação da origem do problema do animal é o que serão possíveis resultados positivos. O animal que é dependente ao extremo, precisa que o dono perceba o que está a fazer de errado acentuando por vezes a ansiedade do cão. Se o animal está nesse estado foi porque o estímulo comportamental do cão foi reforçado a estar assim, portanto, devemos identificar quais são os estímulos reforçadores.
Na SAS precisamos identificar estímulos que antecedam a saída do dono, as respostas comportamentais após um tempo determinado da saída deste, a intensidade destas respostas referentes à quantidade de tempo que o dono está fora de casa e estímulos no seu regresso a casa; ou seja, se este reforçou o comportamento inadequado do animal ou não. Para o tratamento da ansiedade de separação deve incluir uma modificação da relação do dono com o cão, prática de atividade física pelo animal, treino para a obediência, modificação de estímulos antecedentes à partida do dono e consequentes à chegada do mesmo; prevenção e uso de ansiolíticos em alguns casos, sempre associado a toda a reorganização da vida do cão e do dono, pois só o uso do medicamento não mudará nem resolverá a causa do problema, somente irá mascará-lo e o objetivo é trazer o animal para o convívio e não retirá-lo.
O ponto principal é ensinar o cão a tolerar a ausência do dono, aos poucos, gradualmente, como por exemplo, com pequenas partidas do dono; aumentando o tempo fora com pequenos intervalos, não necessariamente crescentes, ou seja, o dono pode sair primeiramente por 30 minutos, depois por 10, depois por 25, por 15, para que o cão entenda que ele irá retornar. No retorno o dono não deve saudar excessivamente o cão, pois esse comportamento só reforçará negativamente o animal. Enquanto o cão permanecer excitado o dono deve ignorá-lo, até que ele se acalma e só nesse momento, saudá-lo. Lembre-se que o cão estará atento aos movimentos do dono antes de sair de casa mostrando-se sempre muito ansioso. O dono pode então realizar todos os movimentos que faria antes de sair de casa, porém não sair. Pode-se também realizar o contra-condicionamento - o cão é treinado a manter-se calmo enquanto o dono se movimenta, afastando-se cada vez mais até chegar perto da porta.
Durante a ausência do dono a televisão ou o rádio podem permanecer ligados para que o animal tenha a sensação de não estar só, ajudando-o a associar positivamente a ausência. É importante que o dono consiga lidar com seus sentimentos também, tendo a certeza que ignorar o cão por um tempo não fará com que o animal goste menos dele, mas sim, diminuirá a dependência extrema, permitindo que o cão tolere a sua ausência e que o tornará num animal mais equilibrado e feliz. Castigos e punições negativas não são recomendados como tratamento, trazendo apenas medo e agressividade do cão para com o punidor, neste caso o dono. Lembre-se que um cão super dependente não é um cão contente e nem há uma relação saudável com o dono. Passe a trabalhar a sua mente para ajudar o seu grande amigo a ser mais feliz!
Fonte: PINHEIRO, R. G. Alterações no comportamento canino: agressividade, ansiedade de separação e sensibilidade sonora. Goiânia, 2010.Leia mais: Síndrome de Ansiedade de Separação (SAS) - Tudo Sobre Cachorros

“O Chico chegou em casa quando já tinha três anos de idade. Eu tinha acabado de me casar e tanto eu como a minha esposa, sempre tivemos a vontade de ter um cachorro e isso só podia ser feito nesse momento das nossas vidas. O Chico chegou-nos através de uma doação e logo ficamos encantados e adorando aquele momento. Mas cedo percebemos que o Chico era um tanto ou quanto carente e que praticamente seria impossível ele ficar sozinho. Nós os dois trabalhávamos o dia inteiro e começamos a perceber que aquela situação estava a ser muito difícil para ele. Todos os dias quando chegávamos a casa, ele estava todo babado e que a cada dia que passava a porta estava mais arranhada, isso sem falar o incomodo que deveria estar a ser para os vizinhos.